Em Portugal a cultura horto-industrial tem vindo a ganhar imenso destaque devido ao tomate de indústria. A verdade é que este incrível produto, considerado por muitos um produto estrela do nosso país, tem vindo a ganhar destaque o que faz de Portugal atualmente um dos maiores produtores europeus.

Aspetos como as condições climáticas de Portugal e know-how dos nossos produtores, são apenas dois dos fatores que mais contribuem para este reconhecimento mundial. Zonas como Ribatejo, Oeste, Alentejo e Algarve falam por si só. Não fosse então possível encontrar enormes plantações e fabricas.

Atualmente, a esmagadora maioria do tomate que é cultivado no nosso país destina-se a transformação industrial. O que muitos não sabem é que cerca de 95% dos concentrados do nosso país têm como fim a exportação, acabando por gerar de faturação mais de 250 milhões de euros.

Mas porque será que somos um país tão famoso na produção de tomate?

  • O conhecimento e experiência dos nossos agricultores: provavelmente o fator mais importante.

A ciência começa no momento da preparação do terreno. É de uma enorme importância conhecer os solos. Estes devem ser profundos, de boa textura ou arenoargilosa e preferencialmente bem drenados. Relativamente ao seu pH deve variar entre os 5.5 e os 7.0.

O trabalho não começa apenas dias antes à plantação, uma vez que no Outono que antecede as plantações devem ser realizadas as subsolagens.

Questões como o controlo de infestantes, adubação e sistemas de rega não devem ser esquecidos, não fossem estes parâmetros super importantes para o sucesso de uma plantação.

  • O clima

Não é por acaso que o nosso país tem enorme destaque nesta cultura horto-industrial. O ideal para este tipo de produções é que a temperatura diurna não fique abaixo dos 15ºC, sendo recomendado um intervalo entre os 20ºC e os 26ºC. 

  • Irrigação

A água não pode faltar nesta plantação. O ideal será que o solo esteja sempre húmido, mas não com água em abundância. Devido a estas características especificas o método de rega mais usado é o gota-a-gota.

De ontem provém a grande maioria da produção nacional?

É difícil falar da produção do tomate e não falar do Ribatejo. É justamente esta a zona do nosso país de onde provém 80% da cultura horto-industrial. O interesse recai em grande escala pelas margens do rio Tejo e ao longo do rio Sorraia. Isto deve-se aos solos serem ricos de aluvião. Sendo esta também uma zona rica em características bastante apetecíveis para a produção deste fruto.

Principais produtores EUROPEUS

Em França, todas as fábricas encontam-se a laborar sendo normal a receção de tomate. Não há impacto climático nos locais de colheita. O rendimento é bom, assim como a qualidade – Brix em torno de 5. No final da semana passada, estima-se que quase 20.000 toneladas de tomate fresco tenha sido processadas.

Na Grécia, as informações ecebidas apontam para uma safra a progredir bem nos rendimentos e qualidade, com brix médio de 4,9 a 5. Em 10 de agosto, 100 mil toneladas ou 25% da previsão, haviam sido processadas. A pequena onda de calor que se registou recentemente não parece ter afetado a colheita. Até agora, as expectativas são para um ano razoavelmente bom.

Na Hungria, a temporada ainda não começou devido a fortes chuvas na região de produção. Devido ao início tardio, a campanha deve durar até finais de setembro ou mesmo, primeiros dias de outubro. As expectativas de quantidade permanecem em torno de 90.000 a 95.000 toneladas.

No Norte da Itália, estima-se que 600.000 a 650.000 toneladas tenham sido processadas até o momento. Desde o início da semana tem diminuído as entregas nas fábricas, prevendo-se que algumas encerrem na semana de 19 de agosto. Os rendimentos de campo estão abaixo das expectativas, mas o brix médio é de 4,85 e a qualidade é boa.

No centro e sul da Itália, verifica-se um grande atraso com apenas 13% da previsão realizada até o momento (26% na mesma data no ano passado). A qualidade é boa, mas com forte ocorrência de tomate verde na colheita. Face a menores produtividades verificadas até ao momento, espera-se que o rendimento das próximas colheitas seja melhor. Setembro prevê-se que seja um bom mês se o tempo continuar quente e seco. No geral, a previsão para a Itália permanece em 4,85 milhões de toneladas.

Em Portugal, a colheita iniciou com agosto, mostrando boa qualidade em termos de cor e brix. Prevê-se que as temperaturas no final de agosto aumentem. A última fábrica abriu na segunda semana de agosto, não existindo ajustes à previsão de serem processadas 1.263.000 toneladas. Na Espanha, a colheita começou no dia 8 de julho na Andaluzia, verificando-se uma anormal incidência de frutos verdes, possivelmente devido às temperaturas anormalmente baixas de junho e julho. A capacidade total de processamento deve ser alcançada esta semana. Na Extremadura, a colheita parece boa, tendo começado na última semana de julho. No vale do Ebro, grandes inundações do rio Cidacos e tempestades com granizo destruíram completamente cerca de 60 hectares e danificaram cerca de 100 hectares. Apenas cerca de 60.000 toneladas foram entregues até o momento do volume total que permanece estimado em 3 milhões de toneladas.

Fonte: “Tomato news” (http://www.tomatonews.com/en/wptc-global-forecast-reduced_2_768.html)

Neste momento, o leitor deve estar a perguntar, mas afinal o que é isto? 

Nós explicamos:  

  • Lycopersicon esculentum é o nome científico do tomateiro; 
  • Two Timesporque se pretende estudar a possibilidade de desenvolvimento de práticas culturais, que permitam explorar uma segunda produção das plantas de Tomate de Indústria (TI), após a colheita mecânica tradicional. 

Sabia que? 

  • o custo de plantação da cultura de TI representa 10% do total da conta de cultura; 
  • o aumento para duas colheitas por planta, cria uma oportunidade competitiva para os produtores de tomate, porque permite a diluição dos custos de produção inerentes a cada campanha. 

Melhorar a capacidade produtiva das plantas de TI já instaladas é o propósito  

Mas como? 

Com o objetivo de promoção da inovação no setor agrícola nacional no quadro da Parceria Europeia para a Inovação (PEI) para a produtividade e sustentabilidade agrícola, foram criados alguns Grupos Operacionais (GO) que: 

  • são parcerias constituídas por entidades de natureza pública ou privada que se propõem desenvolver um plano de ação visando a inovação no setor agrícola; 
  • em cooperação, desenvolvem esforços para realizar projetos de inovação que respondam a problemas concretos ou oportunidades que se coloquem à produção; 
  • contribuam para atingir os objetivos e prioridades do Desenvolvimento Rural, nas áreas temáticas consideradas prioritárias pelo setor tendo em vista a produtividade e sustentabilidade agrícolas. 

Para dar resposta a esta questão, foi criado neste âmbito, o GO “LTT- Lycopersicon Two Times, que tem como objetivos principais: 

  • definir o roteiro técnico de uma 2ª colheita de tomate de indústria, ao identificar as práticas culturais que permitam aumentar a produção nacional deste tipo de tomate, promovendo uma maior eficiência económica na gestão deste sistema de produção; 
  • estender o fim da campanha, através de soluções técnicas que permitam reforçar a existência de matéria-prima no fim de setembro, a um custo menor, e por essa via a um menor risco económico para o agricultor, quando comparado com as condições atuais; 
  • gerar um novo produto de viveiro, de forma que as plantas que são adquiridas permitam a realização de uma segunda colheita na mesma campanha. 

Para apoiar a concretização dos objetivos, fazem parte deste Grupo Operacional, os seguintes parceiros: 

CCTI – Associação para a Investigação, Desenvolvimento e Inovação no Setor (Líder)

Instituto Superior de Agronomia

BENAGRO – Cooperativa Agrícola de Benavente, CRL

Fruto Maior – Organização de Produtores Hortofrutícolas Lda

RELCAMPO, Unipessoal Lda

Sociedade Agrícola Caneja Lda

Sociedade Ortigão Costa, Lda

Sociedade Agro-Pecuária do Vale da Adega S.A

TPROTechnologies, Lda

Sendo de vital importância a cooperação entre os diversos setores – investigação, produção e indústria, envolvidos no projeto.  

Sabia que? 

  • Portugal regista uma produtividade média de 90 toneladas de TI por hectare – a maior da Europa e a terceira mais elevada do mundo; 
  • é o segundo maior exportador europeu, atrás da Itália.  

Dos estudos e ensaios já realizados, tudo indica que o aumento da produtividade do tomate, através do estabelecimento de uma segunda colheita na mesma campanha é viável, contudo, é necessário estabelecer guias de conduta para o seu sucesso em pleno. 

Para a criação de tais regras será necessário avaliar e monitorizar em campo:  

  • o crescimento e estado da cultura nas condições de pós-corte; 
  • quais as melhores condições de rega, fertilização e práticas de proteção das culturas; 

de modo que o saldo custo/benefício seja positivo quer para o produtor quer para a sustentabilidade dos recursos naturais. 

Acompanhe a evolução dos trabalhos deste Grupo em lycopesicon2times.com e apoie a agricultura portuguesa!